Manejo de Resíduos Sólidos e a Limpeza Urbana

Manejo de Resíduos Sólidos e a Limpeza Urbana

Matéria 16/05/2022

Nas últimas matérias, abordamos cada serviço que compõe o Saneamento básico: a distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto e a drenagem urbana; dissertamos sobre a importância de cada um e quais são as consequências da falta deles. Para concluir, iremos abordar o último serviço, tão importante quanto os outros e muito pautado atualmente: a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos.

De acordo com a Política Nacional de Saneamento Básico, podemos definir esse serviço como: um “conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas”.

Ou seja, a limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos, são responsáveis por manter as nossas ruas limpas e com a manutenção em dia, o que é muito importante para o deslocamento de pessoas e veículos com segurança, para a estimulação do turismo e comércio local e, principalmente para evitar o surgimento e proliferação de vetores transmissores de doenças, como por exemplo ratos e insetos.

E você já parou para pensar na quantidade de lixo que geramos diariamente? E pra onde vai tudo isso? É jogado fora? Na verdade, não existe esse “fora”, pois está tudo dentro do nosso planeta, correto? Segundo um estudo da ONU de 2018, a população mundial produz mais de 2 bilhões de toneladas de lixo todos os anos. E esse número só cresce, acompanhando o consumismo da humanidade e o crescimento da população.

Então, se não queremos que o planeta fique literalmente coberto do lixo que geramos, precisamos adotar medidas e práticas que mudem esse cenário. Elas são conhecidas como os 5Rs da Sustentabilidade, é uma política baseada em: Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar. As taxas de reciclagem no Brasil, são extremamente baixas; e esse seria o destino ideal para grande parte dos nossos resíduos sólidos, e somente quando o material não tem como ser reciclado e nem ser reutilizado, é que ele deveria ser considerado como rejeito e encaminhado para os aterros sanitários, onde infelizmente é o local atual onde vai a maior parte dos resíduos do nosso país.

Porém, para o resíduo ser reciclado, além dele precisar passar por uma segregação de acordo com o seu tipo de material (papel, metal, plástico ou vidro), ele ainda necessita não estar sujo de matéria orgânica, para evitar que ele se contamine e fique impossibilitado de ser processado. Por isso, que é muito importante separarmos o lixo orgânico do inorgânico e realizarmos a coleta seletiva corretamente.

E é muito válido destacar, que aproximadamente metade dos resíduos que geramos, é composto por material orgânico. E esse lixo, na verdade, nem deveria ir para os aterros sanitários, pois além dele ocupar um espaço sem necessidade, também atrai animais vetores de doenças, contamina o solo com o chorume e contamina o ar, com gás carbônico e metano, que são gerados no processo anaeróbio que ocorre devido ao fato desse lixo estar enterrado e sem oxigênio. Esse material orgânico não precisa ir para os aterros sanitários, pois ele se decompõe muito facilmente na natureza e ainda se transforma em adubo. Então, só de você estar fazendo essa segregação, também já consegue ajudar a reduzir as 37 milhões de toneladas de lixo que acabam indo para os aterros sanitários equivocadamente todos os anos no Brasil.

Portanto, o correto manejo dos resíduos sólidos, não visa somente deixar as nossas cidades mais limpas e salubres, mas também, proteger o meio ambiente como um todo, dessa nossa produção exacerbada de produtos inúteis, que exploram os nossos recursos naturais e que ainda poluem a natureza com os materiais sintéticos que ficarão “para sempre” no nosso planeta. Então por isso, que é tão importante estarmos a todo momento repensando nas nossas atitudes e no nosso consumismo, além de buscar ações para minimizar o impacto negativo que estamos gerando no meio ambiente.


Autor: Julia Lelis